evolução ou extinção, eis o dilema

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Lago de Aral, Ásia Central, em 1973, 1999, 2004 e 2009: nas últimas décadas do século passado a água vinha secando, porém lentamente. Depois da virada do milênio o processo se acelerou muitíssimo.

 19/05/2011

Enfim escrevo uma mensagem que planejo desde quando fui a Manaus-AM, oito meses antes (a viagem foi em setembro de 2010, e o emeio é de maio de 11). É pra lhes mostrar os efeitos da poluição, e o que ela vem fazendo com o planeta. Vocês já sabem de tudo que vou escrever, mas é que as imagens são muito impressionantes, e valem por mil palavras. Sim, mais uma vez vou ter que me repetir, mas fazer o quê? Digo mais uma vez e quantas se fizerem necessárias:

A Terra simplesmente não comporta esse estilo de vida consumista, hedonista, niilista e extremamente egoísta que a maioria das pessoas adotou, tanto no Brasil como em outros países. Simplesmente não suporta. Se não mudarmos já, tudo entrará em colapso. Ressalto o “já”. Esse colapso do planeta será extremamente doloroso a todos, e não, não irá ocorrer daqui a algumas décadas, quando você não estiver mais aqui. Por isso não importa sua filosofia de vida, é indiferente se crê em “vida após a morte” ou não, porque o caldo vai engrossar agora, enquanto você ainda está encarnado.

É ainda pior que isso, pois estou usando o tempo errado. A Terra não ‘entrará’ em colapso. Já está entrando. Ainda dá pra evitar o pior, mas é preciso agir hoje mesmo. Se acha que estou exagerando, veja as fotos e ligações que lhe mando, as imagens falam por si só e as matérias de jornal não foram escritas por mim, obviamente.

Eis a prova de que é preciso mudar o tempo do verbo: acesse o artigo da wikipedia sobre o que um dia foi o Mar de Aral, entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, Ásia – antes dele começar a secar era tão longo que atingia até o Turcomenistão.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mar_de_Aral

Reproduzo partes do 1º parágrafo: “Mar de Aral era (ênfase meu) um lago de água salgada, localizado na Ásia Central. O nome (em português, Mar das Ilhas) refere-se à grande quantidade de ilhas presentes em seu leito (mais de 1500). Este já foi o quarto maior lago do mundo com 68 000 km² de superfície e 1100 km³ de volume de água, mas em 2007 já havia se reduzido a apenas 10% de seu tamanho original, e em 2010 estava dividido em três porções menores, em avançado processo de desertificação. (idem)”.vai-vendo-_

As fotos falam por si mesmas. Veja os esqueletos de navios. Onde estão as pessoas era um porto. Era… Observe o mapa, como eram as águas em 1973, em 1999 e em 2009. A aceleração da mudança da Terra está aí posta. Veja que em 10 anos (99-09) a água diminuiu muito mais que nos 26 anteriores. Olhe (ao lado e logo abaixo) o tamanho das embarcações abandonadas pra morrer na areia seca e quente. Por aí você calcula quanta água desapareceu. Era o quarto maior lago do mundo – sua área equivalia aos estados do Espírito Santo e Sergipe somados. Chegou a ter mil e quinhentas ilhas, que o nomearam. E desapareceu em 3 décadas. Mando também uma foto que retrata essa ‘evolução’, ou melhor, involução do lago. Mataram um gigante. Matarão a Terra, e a todos que estão nela, se não acordarmos.

Não pense que esse é um problema restrito a Ásia, e que nós americanos estamos livres. Muito pelo contrário. Até porque a ideia de lhes escrever isso surgiu quando viajei a Manaus. Presenciei cenas de destruição inenarráveis na Amazônia. Embora o escopo da desgraça seja indescritível, as fotos e meu relato lhes darão uma ideia da gravidade da situação. Explico: todo ano, no segundo semestre (o período das secas), toda a Amazônia está sendo coberta por uma densa capa de fumaça. Como a imagem mostra. Isso está destroçando o clima em todo continente americano. Novamente, quem mora em outras partes da América do Sul não pense que está livre do que ocorre no Centro-Norte desse continente. Já falaremos disso. Antes deixa eu relatar minha viagem.

era-o-4o-maior-do-mundoFui de Curitiba a Manaus pelo Oeste brasileiro. Fiz escalas em Campo Grande-MS, Cuiabá-MT e Porto Velho. Até Cuiabá tudo era normal. O céu era tão limpo que pude identificar com clareza o trajeto. Bem, conheço um pouco de geografia. Já fiquei infinitas horas olhando a América do Sul e outros continentes pelas fotos de satélite, Deus abençoe o ‘google mapas’. O fiz em diversas escalas. Então, pra mim viajar de avião foi como repetir a experiência, a única diferença é que eu não podia comandar o roteiro e a escala do que via. Já vão entender onde quero chegar.

Um tempo após decolar de Curitiba, vi uma cidade grande abaixo do avião. Decidi saber qual era. Mas não perguntei a ninguém. Apenas olhei com mais atenção. Logo vi que era Maringá. Mirando um pouco mais a leste, vi Apucarana, Arapongas e logo a seguir Londrina.

antes-depois

Mar de Aral em 2004, em preto como o tamanho que ele ocupava em 1850.

Citei apenas pra vocês verem como o céu estava claro, como de dentro do avião se podia perfeitamente ver o solo. Foi assim até um pouco depois de deixarmos Cuiabá. Então a situação mudou radicalmente. Assim que adentramos na Amazônia, o avião passou a sobrevoar uma espessa nuvem de poluição. Simplesmente não era possível ver mais nada abaixo. Não, não eram nuvens comuns, como alguns poderiam se apressar em argumentar, querendo manter seu auto-engano, achando que essa civilização tem salvação.

Observe as fotos, a parte poluída em contraste como é nítida a visão do alto um avião num céu com menos poluição. Veja de novo a capa de fumaça cinza que recobria toda a Amazônia. Não se vê nada além da nuvem negra. Compare com a outra imagem, onde pode-se identificar cada rio ou cidade que há lá embaixo. Vi Maringá claramente, com e suas avenidas e praças ricamente arborizadas, tão nitidamente que nunca tive dúvidas que era a ‘Cidade-Canção’. Não pude ver Porto Velho, a não ser já praticamente em cima do aeroporto.

Não há como negar o que você vê. Tirei também uma foto de uma nuvem comum. A diferença é evidente entre ambas. As nuvens comuns são iguais vistas de cima ou de baixo. Todos os que já andaram de avião sabem que é assim, e se alguém não andou, bem, é dessa forma, as nuvens são iguais do lado de cima, brancas e irregulares, formam flocos (desenhos pros que conseguem captar), e dão uma sensação de paz. Sempre há espaços vagos entre elas.

lago

Diminuição gradual do lago, cada vez mais acelerada. Enfatizando de novo, a fonte é a página da Wikipédia. Lá, essa apresentação está em ‘gif’, animada.

Muitíssimo distinta é a nuvem de poluição. É escura e espessa, uma massa compacta, dá uma sensação péssima em quem vê, pois acaba com qualquer ilusão de que a espécie humana irá sobreviver – a não ser que ajamos já, ressalto ainda mais uma vez.

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Um dia, aqui foi um porto no Mar de Aral. Os pontos escuros na areia são os navios.

A coisa está tão feia que um habitante de Porto Velho-RO nos ressaltou que nos dias em que a nuvem negra está mais forte você não consegue ver os prédios do Centro da referida cidade. Não estou querendo dizer que você não vê os prédios do avião. Do avião não se vê nada, prédios ou o que seja, só a nuvem negra. Estou dizendo que você não consegue ver o topo dos prédios do solo, estando quase em frente a eles. É como uma neblina fortíssima, só que é a neblina negra, fedorenta e sufocante, e que não se dissolve com o sol.

Tudo isso está alterando o clima de formas que estamos insistindo em ignorar, numa miopia literalmente suicida. Os rios do norte do continente estão secando. Presenciei isso tanto no Brasil quanto na Colômbia. E olhe que no Amazonas eu fui na época de secas, e no país vizinho na de chuvas.

porto

A entrada do porto, agora ao nível do solo.

Sim, como disse, quando estive em Manaus (setembro) era mesmo época de seca. Todo ano nesse período os rios baixam, é cíclico – a questão é que a seca em 2010 foi a mais severa da história. Os rios baixaram tanto que estavam se tornando inavegáveis. Vamos pôr a coisa no contexto aqui. A Amazônia é uma civilização aquática. Nós do Centro-Sul brasileiro (eu moro e morei toda minha vida em Curitiba) temos dificuldade em entender isso. Pra nós o modal rodoviário é tão natural quanto respirar. Muito diferente é o que ocorre no Centro-Norte da América do Sul. Pegue o mapa do estado do Amazonas. Quase não há estradas. Toda a comunicação, de bens e pessoas, se faz por barco. Veja fotos do porto de Manaus. É vinte ou trinta vezes maior que a rodoviária, simplesmente porque ninguém chega de ônibus na cidade, exceto os que moram nas poucas cidades bem próximas.

Essa situação se repete em boa parte da Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Venezuela. A Amazônia é o pulmão do mundo, só há vida humana na Terra por causa daquela floresta. E a floresta depende dos rios. Os rios estão morrendo, quando estive lá os relatos nos jornais eram diários de municípios no interior que estavam decretando estado de emergência (quando não de calamidade pública) porque não estava mais sendo possível chegar de barco ao local, pois o rio estava muito raso. E os que arriscavam, por não ter outra opção, muitas vezes acabavam sofrendo acidentes, com os bancos de areia que estavam virando ilhas.

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Não pense que a ‘morte’ do planeta se restringe a Ásia. Veja a erosão no estado do Paraná.

…….

Pois bem. Os rios estão secando. No Amazonas, me restringi a capital, não fui ao interior. Então só li esses relatos. Porém escolhemos ir de Bogotá a Medellin de ônibus, exatamente pra vermos o interior do país. Foi muito triste. Vimos diversos rios que simplesmente morreram, pontes que cruzavam cadáveres de cursos fluviais, que um dia correram mas já não existem mais. E ao contrário do que quando fui a Manaus, dessa vez a região estava na estação de chuvas. Tanto é que diversos desabamentos estão ocorrendo nas favelas de Bogotá, Medelím e Cali. Em todos os casos com pessoas perdendo a vida.

Então vá somando tudo. Os rios estão morrendo. Não pense que só no Norte da América do Sul. Aqui (Centro-Sul da América do Sul) também. Mas chegarei em nossa parte do continente. Por hora voltemos pra lá. Belém, Manaus, Cali, Bogotá, Medelím, todas tem agudos problemas de desigualdade social, com percentual altíssimo de pessoas com moradias precárias, seja nos morros ou em palafitas nos igarapés. Com os rios (alma e sustento mesmo da civilização amazônica) secando, pouca opção resta aos índios e brancos pobres da região que senão irem engrossar as favelas das cidades, que já são enormes. Tudo isso aumenta os desabamentos, fora as epidemias de cólera, dengue, pra não falar da lepra.

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Aqui no estado de São Paulo.

Falando nisso, se pensa que a hanseníase é algo que só existe nos livros, está muito enganado. Sim, no Centro-Sul brasileiro essa doença que vai amputando os membros das pessoas está extinta, e é estudada na história da medicina. Mas no Pará a lepra ainda existe e mata, de forma extremamente dolorosa, até porque a maioria é pobre, e nos postos de saúde os serviços estão longe de atingir um nível satisfatório, como não é difícil calcular. Não há remédios nem pessoal em número suficiente pra lidar com uma enfermidade tão complexa, quando os casos se multiplicam. A lepra existindo ainda em algum lugar pode ressurgir onde já foi erradicada, assim como a dengue autóctone ressurgiu nos EUA após 50 anos.

http://blog.ambientebrasil.com.br/?p=2175

E isso que nem toquei na questão da violência urbana. É claro que se milhares de agricultores perdem suas terras porque os rios secaram e aí vão aumentar as favelas, alguns rapazes serão seduzidos pelo crime e aumentarão as fileiras de grupos armados, tenham motivação política ou simplesmente o objetivo de vender drogas.

É inegável que se não houvesse esse êxodo rural provocado pelo desequilíbrio ecológico tanto as cidades quanto o campo seriam melhores. Só isso já seria motivo pra nos preocuparmos com a Amazônia. Até porque a nuvem negra que por lá se instala na época de secas é resultado das queimadas, e as queimadas existem pra produzirem bens (carne e madeira) que são consumidos em boa parte no Centro-Sul, que é mais rico. Mas fica pior. Muito pior.

A nuvem negra da Amazônia vem afetando o clima de todo o continente, e não apenas da área que ela cobre com sua fétida sombra. Os ventos trazem o desequilíbrio pra toda parte. Em agosto de 2010, houve chuva negra no Rio Grande do Sul. E a causa é a devastação na floresta bem mais ao norte e oeste. Chuva negra” não é figura de expressão. A chuva que caiu na fronteira entre Brasil e Uruguai era negra de fato. Veja:

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a3013281.xml

2010: fui de avião a Manaus e constatei que toda a Amazônia estava coberta por espessa camada de fumaça originada das queimadas. Vou ser específico: do Norte do Mato Grosso seguindo pelos estados de Rondônia e Amazonas, tudo estava tapado por essa massa cinza de poluição, não se via nada embaixo.

Como leram, na fronteira meridional de nosso país a chuva foi negra, enquanto na Região Metropolitana de Porto Alegre a chuva foi laranja. É a chuva ácida. Causa corrosão, ou seja, se for muito forte derrete os tecidos do que ela toca. Esses são os primeiros avisos. Se não agirmos tudo irá piorar. Está escrito nas Profecias que “irá chover fogo”. Os materialistas descreem, e dão risadas. O que escapa a compreensão desses falsos sábios é que as Escrituras (de diversas religiões, não apenas da cristã) estão codificadas em linguagem simbólica.

A Bíblia poderia ter dito “vai chegar uma época que a poluição, provocada pelo consumismo em massa, mudará o ph da água, e com isso ela será laranja ou negra, e irá queimar onde tocar”. Mas a multidão simples e ignorante da época não ia entender nada. Não existia ciência da forma como entendemos o termo em boa parte do mundo de então, como é notório. Assim optou-se por um símbolo, e esse se mostrou correto. Já está caindo uma chuva laranja e que queima. É o Zero Hora quem diz isso, não eu. Felizmente por enquanto ainda está fraca. Mas irá piorar se nada for feito.

Compare com uma nuvem normal, não-poluída. A coloração e o formato são totalmente diferentes. Na poluição é cinza e uniforme, e a nuvem normal é branca e bastante ondulada.

Agora me diga: por acaso o fogo também não é laranja, e também não queima? Então se a chuva ácida piorar, e as gotas tiverem a cor do fogo e queimarem como ele, por acaso não estará cumprida a profecia de que irá chover fogo? Não era isso que as Profecias disseram desde sempre, afinal? Quem poderá negar então? Quem terá razão no fim, os materialistas ou as Profecias?

Veja bem, não quero converter ninguém a nada. Não estou falando aqui de temas esotéricos, debatendo se algo previsto irá ou não acontecer. Estou falando sobre coisas que já estão ocorrendo. O tempo do verbo mudou, como abri o texto dizendo. A chuva ácida já ocorreu, e assim foi reportado por um jornal do conglomerado RBS, que é afiliado a Rede Globo. Dificilmente alguém pode dizer que esse é um grupo místico ou que está interessado em combater o capitalismo, não é mesmo?

E a coisa ainda fica pior. Em alguns lugares do Rio Grande do Sul, a chuva é acida. Em outras partes do estado, simplesmente não chove. O Oeste e partes do Sul do Rio Grande do Sul estão virando desertos. Em Bagé, as torneiras estão secas 13 horas por dia, e não está sendo suficiente (nota: lembre-se que o texto é de 2011, e relata o que ocorria na época. Não acompanhei pra saber se o problema da seca no RS permanece ou foi amenizado).

http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/diario-gaucho/19,222,3316533,Racionamento-de-agua-pode-aumentar-em-Bage.html

O Norte e o Leste gaúchos não estão melhores. Ciclones com ventos de mais de 100 km/hora tem atingido Porto Alegre com frequência, as vezes todos os meses. Veja exemplos.

http://www.metsul.com/secoes/visualiza.php?cod_subsecao=39&cod_texto=238

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a3110546.xml

(Nota escrita em 2016: nesse caso eu fui conferir se a situação mudou. Não, continua a mesma. Ciclones e vendavais continuam a fustigar as terras gaúchas com frequência. Acima são as ligações de 2010/11. Cinco anos depois, a situação permanece idêntica.)

http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2016/11/regiao-central-e-fronteira-oeste-concentram-estragos-de-temporal-com-vento-de-100-km-h-diz-defesa-civil-8123898.html

http://zh.clicrbs.com.br/rs/porto-alegre/transito/noticia/2016/11/apos-vendaval-queda-de-arvores-bloqueia-vias-em-porto-alegre-8121667.html

Próximas 2: além disso, as nuvens normais de vapor d’água nunca são contínuas, você vê claramente a paisagem em baixo na maioria do trajeto.

Por vezes, os ciclones, que não ocorriam em nosso país até um passado recente, têm atingido também o litoral tanto do próprio Rio Grande do Sul como igualmente dos estados de Santa Catarina e São Paulo. A causa é mais uma vez a desflorestação. As matas de pinheiro, tão características do Sul do Brasil, impediam os ventos fortes de castigarem as cidades, por suas copas altas. Mas foram derrubadas. O resultado é esse que você está presenciando.

Não para por aí. Todo o Oeste da Região Sul do país está virando deserto, não apenas no Rio Grande do Sul, mas no Paraná e Santa Catarina também. Quando trabalhava fazendo pesquisas, fui algumas vezes ao Oeste do Paraná, tanto pro Centro-Oeste (região de Campo Mourão) quanto Noroeste, perto de Umuarama. Muitas vezes vi as cidades do interior definhando, pois não chovia há meses, e a lavoura estava seriamente comprometida. Vi as pessoas, em suas conversas, agradecendo a Deus uma eventual chuva, como no sertão do Nordeste.

Pequenos fazendeiros estão desistindo da terra, e suas propriedades estão sendo engolfadas por latifúndios gigantes. A situação está se tornando crítica, mas pouca coisa é divulgada, porque as terras, antes férteis e de pequenos proprietários, estão sendo ocupadas por enormes fazendas monocultoras de soja transgênica. Então o fato que milhares de famílias estão perdendo suas terras (que se tornaram inúteis) é vantajoso pros grandes fazendeiros, que têm a imprensa no bolso, como é lógico crer.

O céu está seco, a terra infértil – ao menos comparados com o que eram pouco tempo atrás. Mas como as plantações de soja transgênica utilizam intensivamente irrigação e adubação artificiais, o ser humano em sua cegueira e prepotência acha que ‘venceu’ a Natureza. Ledo engano. A reação não tarda. De alguns anos pra cá, enormes valas começaram a aparecer em terras antes férteis do Noroeste do Paraná e Oeste de São Paulo, como as imagens mostram. Não há como duvidar. Observe que sobre as crateras há algumas árvores, o que indica que antes havia uma floresta. Até mesmo a mídia capitalista está sendo obrigada a noticiar alguma coisa, pois o solo da região começa a parecer lunar.

Em 2011 a notícia estava publicada na página do jornal, quando jogo no ar em 2016 a matéria não existe mais, por isso não reproduzo a ligação aqui. Mas fazendo um resumo, claro que na matéria diz que o governo já está ciente do problema e ‘tomando as providências necessárias’. “Ações conjuntas combatem a erosão no campo”, é o portentoso título da matéria. A mensagem? ‘Não se preocupe com nada. Não mude seu estilo de vida. Continue consumindo, nós estamos de olho e breve tudo estará corrigido’. Afinal logo após essa reportagem, ou na próxima página, entram os comerciais, onde você pode ver os últimos modelos de carros e celulares, e também os participante que estarão no próximo ‘Big Brother’ (!!!!).

Mais uma vez vemos a nuvem normal, a que não é originária de poluição mas sim da evaporação da água. Nota-se claramente a paisagem, nesse caso fazendas e árvores, e quando é o caso cidades. Já a nuvem cinza de fumaça das queimadas, digo de novo, é contínua. Do Mato Grosso a Manaus (são mais de mil km em linha reta) não dava pra ver nada abaixo.

E o que dizer dos desabamentos no estado do Rio de Janeiro (quando fiz esse texto, a desgraça que devastou a Serra Fluminense tinha recém-ocorrido)? Alguns se apressarão em apontar que sempre houveram essas tragédias por lá. De fato é assim. Sempre houveram mortes nos desabamentos pelas chuvas no Rio nessa época do ano. Porém eles matavam dezenas de pessoas, e não centenas. Agora já houveram dois casos em que morreram 200 pessoas ou mais em cada tragédia. Cidades inteiras deixaram de existir. Isso nunca havia ocorrido.

Por conta de tudo isso, eu sou obrigado a ir na direção oposta da mídia. Não está tudo bem. Não serão algumas ‘medidas conjuntas’ que irão acabar com a erosão, e nem com as outras tragédias que o planeta vem passando. Não basta apenas reciclar e com isso ‘lavar a consciência’. Reciclagem apenas minora a agressão que fazemos a Natureza com nosso modo de vida artificial e auto-destrutivo. E a partir do momento que alguns se contentam em reciclar e acham que assim estão livres pra consumir quanto quiserem, a ênfase na reciclagem pode começar a se tornar um remédio pior que o mal.

Porto de Manaus. Os rios são a vida da Amazônia. Se os rios morrem, morre a Amazônia, e depois toda a Terra.

As imagens e reportagens não deixam dúvidas da gravidade da situação, que só será revertida se mudarmos radicalmente nosso modo de vida, e a forma como nos relacionamos uns com os outros e com a Terra, que é a Grande Mãe de todos nós.

Não pretendo com esse texto criar pânico nem matar a esperança. Ao contrário. Há tempo de salvarmos o planeta, e por extensão a nós mesmos. Mas é preciso agir já. É preciso reduzir o consumo. Reciclar é importante, mas não basta. É preciso consumir menos. E é preciso começar hoje. Pense nisso a próxima vez que for tentado a trocar de celular, ou a consumir qualquer aparelho eletrônico, ou vestuário da moda, ou o que for, por mais ‘indispensável’ que essa compra possa parecer a primeira vista.

Não esqueça que um planeta saudável é o nosso bem mais indispensável. Sem isso não há outros bens, sem isso não sequer humanidade.

Nada está perdido. Ainda. Mas é preciso agir já. Os avisos estão aí. Ignoremos por nossa própria conta.

Consumir menos. Não há salvação além disso. Por um tempo, pudemos adiar essa decisão. Agora não dá mais. É evolução ou extinção – e extinção de maneira indescritivelmente dolorosa.

Chegou a hora de escolher. Esteve previsto desde sempre, e agora chegou.

O Homem e a Mulher ‘modernos’ (ou ‘pós-industriais’, no jargão de alguns) perderam a Fé no Criador e em suas Leis que regem o Universo. O ‘deus’ dos hedonistas e niilistas que pululam sobre a Terra é a ‘ciência’, mídia e estado.

E por isso creem que podem agir como quiserem, em todas as dimensões, sem sofrerem as consequências de seus atos.

Nada poderia ser mais distante da realidade, os fatos estão apontando nessa direção e a coisa vai se agudizar tremendamente na década de 20.

Precisamos recuperar a Fé em algo Maior que o ego humano, ou vai haver caos. Eu não estou brincando nem exagerando.

E por Fé eu não me refiro a religião organizada. A Consciência de cada Homem e Mulher é livre pra fazer a sua ligação com o Pai e Mãe Divino como lhe parecer mais correto a sua mente e coração. Quando a massa enxergar isso, nada mais há a temer, só a Trabalhar.

O que não pode é o egocentrismo, materialismo, niilismo e hedonismo permanecerem, pois isso dará ‘perda total’ no planeta, e não vai demorar.

Bem, se a crise tiver uma vantagem, é que ela levará as pessoas a re-espiritualização. Quando a sociedade que tem fé na mídia, ‘ciência’ e dinheiro falir por completo – o que não está longe – as Consciências ‘voltarão pra casa’, e re-descobrirão que existe Lei no Universo, o que elas sempre souberam entretanto nessa encarnação o foco demasiado em seus egos as fez ‘esquecer’.

O correto Entendimento e Cumprimento das Leis Eternas pode se dar pelo Amor ou pela dor.

Cabe a ti, e a cada um de nós, fazer essa escolha. O momento chegou, enfatizo ainda mais uma vez e quantas se fizerem preciso.

………..

É como vejo a questão. Cada um que aceite ou rejeite essa mensagem conforme sua consciência determinar.

Que Deus ilumine a toda humanidade. Vamos precisar.

“Ele-Ela proverá”

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